Jornal Ação de Barão/RS.


03/07/2026 às 19:52 // Informações.
O frio voltou a pesar na rotina de Barão nesta sexta-feira, 3 de julho. Com temperatura baixa, mínima prevista próxima de 2°C e alerta de geada para a madrugada e a manhã deste sábado, 4 de julho, o inverno exige atenção redobrada, principalmente entre idosos, crianças, pessoas com doenças cardiovasculares, trabalhadores expostos ao frio e moradores que saem de casa nas primeiras horas do dia.
A sensação de frio, porém, varia bastante de uma pessoa para outra. Enquanto alguns enfrentam o inverno com um casaco leve, outros precisam de várias camadas de roupa para suportar a mesma temperatura. Essa diferença tem explicação no funcionamento do organismo.
Segundo a endocrinologista Gabriela Iervolino, da Hapvida, fatores como metabolismo, massa muscular, circulação sanguínea, idade, composição corporal e algumas condições de saúde influenciam diretamente a forma como cada pessoa reage às baixas temperaturas.
“Mesmo que os corpos humanos tenham muitas semelhanças, existem diferenças individuais que fazem com que cada pessoa tenha uma percepção diferente da temperatura. Massa muscular, tecido adiposo e fatores genéticos influenciam diretamente nessa resposta”, explica a médica.
A produção de calor depende, em parte, do metabolismo. Pessoas com metabolismo mais ativo tendem a produzir mais calor. A massa muscular também tem papel importante, porque os músculos consomem energia e ajudam o corpo a manter a temperatura. Por isso, quem tem mais massa muscular costuma sentir menos frio.
O tecido adiposo também contribui para reduzir a perda de calor, pois funciona como uma camada isolante. Essa combinação ajuda a explicar por que muitos homens relatam menor desconforto durante o inverno. “Os homens apresentam níveis fisiológicos mais elevados de testosterona, o que favorece naturalmente uma maior massa muscular e, consequentemente, uma menor sensibilidade às baixas temperaturas”, afirma Gabriela.
Mulheres, pessoas idosas, crianças e pessoas muito magras costumam sentir frio com mais intensidade. Nesses grupos, pode haver menor quantidade de massa muscular e, em alguns casos, menos tecido adiposo. Com isso, o organismo produz menos calor e encontra mais dificuldade para conservar a temperatura corporal.
As condições de saúde também influenciam. Problemas circulatórios, especialmente doenças arteriais, reduzem a irrigação sanguínea nas extremidades do corpo. Mãos e pés ficam mais frios e, em situações mais graves, aumenta o risco de lesões.
Alterações hormonais, como doenças da tireoide, também interferem na percepção do frio. “No hipertireoidismo, por exemplo, o metabolismo fica acelerado de forma patológica, fazendo com que a pessoa sinta menos frio do que realmente deveria naquele ambiente”, ressalta a endocrinologista.
O frio intenso também pede cuidado de quem convive com hipertensão arterial e outras doenças cardiovasculares. Em baixas temperaturas, os vasos sanguíneos se contraem, a pressão arterial pode subir e o coração trabalha com mais esforço para bombear o sangue. Esse efeito merece atenção especial entre pessoas idosas e pacientes com histórico cardíaco.
“Pacientes com risco cardiovascular precisam redobrar os cuidados durante o inverno, já que o frio pode favorecer eventos graves, como o infarto agudo do miocárdio. Também é importante monitorar a pressão arterial com mais frequência nessa época do ano”, orienta Gabriela.
Sentir frio durante o inverno é esperado. Alguns sinais, porém, indicam que o corpo pode estar sofrendo mais do que deveria. Pele muito pálida e fria, tremores intensos, perda de sensibilidade nas extremidades, dificuldade para movimentar mãos ou pés e confusão mental exigem aquecimento imediato e, conforme a intensidade, avaliação médica.
Para enfrentar os dias frios com mais segurança, a recomendação é usar roupas em camadas, proteger mãos, pés e cabeça, evitar mudanças bruscas de temperatura, manter alimentação equilibrada, priorizar alimentos quentes e nutritivos, preservar a hidratação, praticar atividade física regularmente e dormir bem.
A médica também alerta para o consumo de bebidas alcoólicas como tentativa de aquecer o corpo. “O álcool provoca apenas uma falsa sensação de calor. Na prática, ele pode fazer com que a pessoa permaneça exposta ao frio sem perceber o risco, aumentando a chance de complicações”, finaliza.
Fonte: Hapvida, Ministério da Saúde e Instituto Nacional de Meteorologia.
Imagem: Divulgação.
Texto: Rita Santos para o Jornal Ação.

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