Jornal Ação de Barão/RS.


28/05/2026 às 00:41 // Informações.
A série Rostos de Barão apresenta histórias de moradores que ajudam a preservar a memória do município através das próprias vivências. No novo episódio a professora Iria revisita quase 83 anos de lembranças, trabalho, educação e mudanças acompanhadas desde a infância no interior até a transformação da cidade.
Nascida em uma noite muito, muito fria, como relembra durante a entrevista, a professora Iria conta sua trajetória de forma simples, espontânea e cheia de detalhes que ajudam a reconstruir uma parte importante da história de Barão. Conhecida por gerações apenas como professora Iria, ela cresceu entre o trabalho na roça, as longas caminhadas até a escola e a rotina intensa das famílias do interior.
Durante a conversa ela relembra a antiga escolinha de madeira Maria Edith Selbach, onde estudou ainda criança, antes da construção do grupo escolar que permanece como referência educacional no município. Na época, os estudantes podiam cursar apenas até a quinta série em Barão.
Outra memória forte envolve o trem que cruzava a cidade. A Maria Fumaça transportava passageiros, frutas, verduras, cargas e mercadorias entre Barão e cidades da região, fazendo parte da rotina das famílias e da economia local. O próprio relacionamento da professora começou através do trem.
Foi em um baile comunitário que ela conheceu o futuro marido. Na época, Iria havia sido escolhida rainha do baile do Esporte Clube Palmeiras, em uma escolha feita através da venda de votos, tradição bastante comum naquele período. O namorado, morador de Salvador do Sul, passou a visitar Barão de trem para encontrá-la.
Filha mais velha de uma família numerosa, Iria assumiu cedo responsabilidades dentro de casa e no trabalho rural. Ela relembra a rotina pesada na lavoura, os serviços domésticos, o cuidado com os irmãos menores e as exigências da época.
Mesmo depois do casamento e já mãe de filhos, decidiu voltar a estudar. Fez exames, concluiu o magistério, cursou faculdade e começou a lecionar em um período de falta de professores na região.
Ao longo dos anos, também recebeu estudantes vindos de outras cidades para morar em sua casa enquanto frequentavam a escola em Barão. Segundo ela, jovens de diversos municípios buscavam formação no antigo curso normal oferecido no município.
Apaixonada pela natureza, pelos morros e pelas paisagens da região, escolheu a Geografia como área de atuação. Na entrevista, ela aponta a educação como uma das principais forças de transformação social que acompanhou ao longo das décadas em Barão.
Em um dos momentos mais marcantes da conversa, a professora resume a própria visão sobre a vida e o aprendizado com uma frase simples e direta: “A gente aprende até morrer.”
A entrevista também aborda a participação das famílias na vida escolar, os programas de alfabetização para adultos e as mudanças na valorização da profissão docente ao longo dos anos. Iria relembra alunos idosos que voltaram para a sala de aula depois dos 60 anos em busca de aprendizado e convivência.
O episódio integra a série Rostos de Barão, projeto do Jornal Ação dedicado a registrar memórias, trajetórias e histórias que ajudam a preservar a identidade do município.
Assista à entrevista completa no YouTube: https://youtu.be/Sge1OW7Se6c

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