Jornal Ação de Barão/RS.


29/05/2026 às 19:12 // .
Comenta-se cada vez mais sobre trabalhar seis dias para descansar um. A chamada escala 6x1, tão comum na rotina de muitos brasileiros, voltou ao centro das conversas — e não é por acaso.
O que por muito tempo foi tratado como normal começa a ser questionado. E talvez já devesse ter sido antes.
A discussão não é apenas sobre carga horária. É sobre qualidade de vida. Sobre o tempo que sobra — ou que não sobra — para viver. Porque, na prática, quem vive uma escala 6x1 sabe: o dia de folga não é exatamente um dia livre. Ele vira o dia de resolver tudo aquilo que ficou pendente durante a semana. Mercado, casa, compromissos, cansaço acumulado.
Descansar, mesmo, fica em segundo plano.
E isso levanta um questionamento importante: até que ponto esse modelo ainda faz sentido? Em um mundo que já discute produtividade aliada ao bem-estar, manter rotinas tão exaustivas parece mais um atraso do que uma necessidade.
Não se trata de ignorar a realidade de muitos setores, especialmente comércio e serviços, que dependem dessa dinâmica. Mas também não dá para ignorar o impacto disso na saúde física e mental de quem está na linha de frente.
Cansaço constante não é normal. Falta de tempo não deveria ser regra.
Talvez o incômodo crescente com a escala 6x1 seja um sinal de mudança. De uma sociedade que começa a perceber que trabalhar muito não pode significar viver pouco.
No fim das contas, a pergunta que fica é simples — e desconfortável: quantos dias da nossa vida estamos realmente vivendo, e quantos estamos apenas tentando dar conta?
Por Jaqueline Debald, escritora e autora de cinco livros publicados. Observadora das ruas, dos silêncios e das pequenas revoluções que acontecem na vida comum, escreve para transformar sentimentos em reflexão e pertencimento. Para saber mais, acesse: https://sites.google.com/view/
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