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HORIZONTES

26/05/2026 às 17:04 // .

AMPLITUDE DA ECOLOGIA INTEGRAL

Jesus Cristo veio para cumprir os desígnios do amor do Pai, quando na Sinagoga abre o livro e lê: “O Espirito do Senhor está sobre mim, me enviou para anunciar a Boa Nova, em favor dos menos favorecidos. 

E esta missão, Jesus passou para cada um dos batizados. Por isso, nossa existência humana é coexistência, somos relação. Não deveria existir divisões, violência, disputas, dominação, marginalização e todos os demais problemas sociais, decorrentes das relações humanas. Assim nos revela a Santíssima  Trindade que é pura relação de amor;  é espelho para nós, que devemos ultrapassar a justiça e praticar a caridade. 

O documento Rerum Novarum do Papa Leão XIII  de 1891 diz  “que difundir e ensinar a doutrina social, pertence à missão evangelizadora da Igreja e faz parte essencial da mensagem cristã.” Da Escritura foi visto, como Deus age, para libertar o povo da escravidão (Ex 3,7-8). Esta é a regra de ouro: “Tudo o que quereis que os outros vos façam, fazei-o vós a eles”. 

No livro do Genesis encontramos narrada a obra da criação. Deus no princípio organiza as coisas e no sexto dia cria o homem e a mulher, em relação um com o outro, no sétimo dia descansou. Vemos como tudo é processo. O compromisso social é a partir da fé. O pecado fere as relações humanas e com Deus. Em Gen. 1, 27 diz que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Somente este enunciado seria suficiente para vivermos o respeito pelo ser humano. Mas no livre arbítrio, o ser humano quer tomar o lugar de Deus e fazer justiça com as próprias mãos, desviando-se da Lei que lhe poderia render plena felicidade. A lei nos foi dada nas tábuas Lei, os dez mandamentos, os quais são o fundamento para as leis de hoje.

   Deus se revela em Jesus Cristo, em (Mt. 5,3-12) nos fala das bem-aventuranças. Ele é sinal de esperança. Maria Santíssima, no seu cântico do Magnificat, proclama um Deus misericordioso, que vai além da justiça, é um Deus amor, que se relaciona com o amor. Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. A Igreja vê quando a sociedade vive em desacordo, e se pronuncia segundo os princípios que são: A dignidade da pessoa humana; o bem comum; a subsidiariedade e a solidariedade. 

A pessoa humana é digna, porque criada a imagem e semelhança de Deus, seu criador. O mal nos condiciona, mas a graça não nos falta para podermos viver na liberdade e na verdade. O bem comum visa atingir o melhor bem para todos. A pessoa deve ser vista como um fim e não um meio (E. Kant). No principio da subsidiariedade, o maior não deve fazer o que o menor pode fazer, deve sim apoiar para que o outro possa se desenvolver. A solidariedade nos convida a superar a mentalidade do individualismo. Nós somos responsáveis por todos, assim nos diz a Carta Encíclica Sollicitudo Rei Socialis, nº 28.

O trabalho humano é a chave da questão social - Se olharmos a realidade, vemos que o trabalho tem efeitos em todos os aspectos de nossa vida, é estruturante da nossa sociedade. Trabalho e emprego não são a mesma coisa. Trabalho é ação no mundo, com o qual, é modificado. Emprego é a relação formal e remunerada entre um empregador e empregado, existem regras, obrigações, horários e benefícios de ambas as partes. O trabalho não é só um ganha pão, mas sim, dom de Deus, é parte essencial de quem nós somos. Hoje somos dominados pelo capitalismo que visa a propriedade privada, o trabalho livre, o assalariamento, mas também o lucro e o acúmulo de capital. O Papa Francisco nos diz da realidade de hoje: que o trabalho da pessoa está sendo desvalorizado, trabalho precário, visto como custo de produção. Ao invés, deveria ser “relações humanas”, “festa”, o trabalho é amigo da oração, da Eucaristia.

Podemos refletir mais profundamente, no que Jesus nos diz: O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. A ecologia integral é a salvação do planeta, onde tudo e todos estamos interligados: o ser humano e todos os elementos da natureza. Precisamos aprender a nos relacionar uns com os outros e com toda a obra da criação.

Ir. Marisa Inêz Mosena