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Anvisa aprova exame de sangue que auxilia no diagnóstico da doença de Alzheimer

30/09/2026 às 19:36 // Informações.

Teste desenvolvido pela Roche mede biomarcador associado à presença de placas amiloides no cérebro e pode tornar a investigação médica menos invasiva.

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro, no Brasil, do Elecsys pTau217, exame de sangue desenvolvido pela Roche Diagnóstica para auxiliar na identificação de alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer.

A tecnologia mede, no sangue, a proteína Tau fosforilada 217, conhecida como pTau217. Esse biomarcador está relacionado à presença de placas amiloides no cérebro, uma das principais características observadas na doença de Alzheimer.

Na prática, o avanço pode tornar a investigação diagnóstica menos invasiva e mais acessível em comparação com exames tradicionalmente utilizados para confirmar alterações cerebrais, como a tomografia por emissão de pósitrons, conhecida como PET-CT, e a análise do líquido cefalorraquidiano, coletado por punção lombar.

O exame foi desenvolvido para rodar na plataforma automatizada cobas, da Roche, já utilizada por hospitais e laboratórios de grande porte. A aprovação regulatória permite que a tecnologia seja incorporada ao mercado brasileiro, embora a disponibilidade ao público dependa da oferta pelos serviços de saúde e laboratórios.

De acordo com a Roche Diagnóstica, o Elecsys pTau217 foi criado para auxiliar médicos na confirmação ou exclusão da presença de patologia amiloide em pessoas com sinais iniciais de declínio cognitivo. Um resultado positivo indica maior probabilidade de alteração associada ao Alzheimer; um resultado negativo ajuda a afastar essa suspeita e pode evitar procedimentos mais invasivos.

A gerente médica da Roche Diagnóstica, Ana Terzian, afirma que a aprovação muda a dinâmica da investigação da doença no país.

“A liberação do exame pela Anvisa muda a forma como lidamos com a investigação da doença de Alzheimer no Brasil. Durante muito tempo, a confirmação biológica da doença dependia de procedimentos complexos e restritos. Poder identificar essas alterações com uma coleta simples de sangue no laboratório simplifica o diagnóstico e permite tomadas de decisão mais rápidas e assertivas pelos médicos e famílias”, destacou.

Apesar do avanço, o teste não substitui a avaliação médica. O resultado deve ser interpretado em conjunto com a história clínica do paciente, sintomas, exames complementares e análise especializada.

O neurologista Diogo Haddad, coordenador do Centro de Cognição da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, avalia que o exame pode reduzir a incerteza vivida por pacientes e familiares no início dos sintomas.

“A dúvida sobre a causa de uma perda de memória gera um desgaste imenso para o paciente e quem está ao redor. O exame de pTau217 traz respostas mais objetivas logo no início dos sintomas. Ele nos ajuda a descartar a doença de Alzheimer rapidamente ou a confirmar a suspeita sem a necessidade de submeter a pessoa a procedimentos invasivos”, afirmou.

Estimativas internacionais indicam que uma parcela expressiva das pessoas com demência permanece sem diagnóstico formal. Entre os pacientes que conseguem confirmação médica, o tempo entre os primeiros sinais cognitivos e o diagnóstico pode levar anos. Nesse cenário, exames de sangue baseados em biomarcadores passam a ser vistos como ferramentas importantes para antecipar a investigação, orientar encaminhamentos e organizar melhor o cuidado.

O Elecsys pTau217 foi desenvolvido em cooperação global entre a Roche Diagnóstica e a Eli Lilly and Company. Para Luiz André Magno, diretor executivo da Área Médica da Lilly Brasil, a chegada da tecnologia ao país ocorre em um momento em que o diagnóstico precoce ganha ainda mais importância.

“O lançamento do Elecsys pTau217 marca um passo concreto para o diagnóstico da doença de Alzheimer no Brasil. Um simples exame de sangue tem o potencial de tornar essa investigação muito mais acessível fora dos grandes centros especializados”, avaliou.

A aprovação representa um avanço para a medicina diagnóstica, mas não transforma o exame em rastreamento para pessoas sem sintomas. A indicação deve partir de avaliação médica, especialmente em casos de queixas de memória, alteração cognitiva ou suspeita clínica de doença neurodegenerativa.

 

Imagem: Divulgação Roche Diagnóstica.
Texto: Rita Santos.

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