Jornal Ação de Barão/RS.


03/08/2026 às 17:14 // Informações.
Especial | 30 anos da agricultura de Barão
Quando a família Sandrin decidiu deixar a produção de ovos férteis e investir no cultivo de morangos, pouca gente imaginava que aquela escolha daria origem a uma das propriedades mais conhecidas do município. Em uma época em que a cultura ainda era pouco difundida em Barão, eles apostaram em um sistema praticamente desconhecido na região e construíram, passo a passo, uma trajetória marcada pela inovação, pelo aprendizado e pela persistência.
A história da Morangos Semi-Hidropônico Sandrin e Filhos integra a série especial 30 anos da agricultura de Barão, produzida pelo Jornal Ação para mostrar como diferentes famílias ajudaram a transformar a agricultura do município desde a emancipação.
As primeiras estufas começaram a ser construídas entre 2011 e 2012. Até então, a família trabalhava com avicultura e produção de ovos férteis. Após a venda da atividade, surgiu a decisão de permanecer no campo, seguindo a tradição iniciada pelos pais e avós.
"Queríamos continuar na agricultura. Foi aí que surgiu a ideia de construir as estufas de morango", conta Aline Sandrin.
Antes de iniciar a produção a família percorreu propriedades de outros municípios para conhecer diferentes sistemas de cultivo. A principal referência veio de São Vendelino, onde aprenderam os primeiros passos com um produtor que se tornou, como ela mesma define, "nosso professor".
Naquela época, o cultivo de morangos em estufas e bancadas elevadas ainda despertava curiosidade.
"Muitas pessoas vinham até a propriedade para conhecer como era produzido. Muita gente achava que o morango ainda era plantado diretamente no chão."
Enquanto boa parte dos produtores utilizava canteiros tradicionais, a família optou desde o início pelo cultivo suspenso dentro de estufas. Nos primeiros anos, as mudas foram plantadas em slabs — sacos plásticos preenchidos com substrato. Com o tempo, o sistema foi substituído por calhas de madeira, desenvolvidas pela própria família.
Além de reduzir custos, a mudança facilitou o manejo diário, já que as estruturas apresentam maior durabilidade e não precisam ser substituídas com a mesma frequência.
A tecnologia, porém, nunca eliminou o trabalho constante.
Produzir morangos exige acompanhamento diário das plantas, controle rigoroso de pragas e doenças e atenção permanente às condições climáticas. Segundo Aline, cada safra apresenta desafios diferentes.
"Todo ano é um desafio. O clima já não é mais o mesmo. Cada temporal e cada ventania deixam a gente apreensivo."
Entre as maiores preocupações estão justamente as estruturas que protegem a produção. Quando o vento rompe as lonas das estufas, muitas vezes não há alternativa além da substituição imediata para evitar prejuízos.
Apesar das dificuldades, a família nunca deixou de investir em melhorias.
Ao longo dos anos novas tecnologias foram incorporadas ao cultivo, tornando o trabalho mais eficiente e reduzindo o esforço físico. Hoje, equipamentos agrícolas auxiliam em diversas etapas da produção, realidade muito diferente daquela vivida pelas gerações anteriores.
"Hoje tudo ficou mais prático do que há 30 anos. Temos muito maquinário para ajudar na lida. Antigamente era muito mais trabalhoso."
Boa parte desse conhecimento, entretanto, foi conquistada longe de Barão.
Sem assistência técnica especializada nos primeiros anos da atividade, a família buscou orientação em municípios vizinhos, como Bom Princípio e São Vendelino. Dúvidas sobre manejo, irrigação e controle de doenças foram esclarecidas com técnicos de empresas da região.
"Nós fomos aprendendo na marra. Até hoje seguimos aprendendo."
O reconhecimento pelo trabalho veio naturalmente.
Além de formar uma ampla carteira de clientes, a propriedade passou a receber visitas de produtores interessados em conhecer o sistema de cultivo. Técnicos e pesquisadores da Embrapa também estiveram na propriedade para acompanhar o desempenho de novas variedades de morango adaptadas às condições da região.
Para Aline, porém, o maior resultado continua sendo a confiança conquistada ao longo dos anos.
"Muitos clientes se tornaram amigos. Receber os elogios deles sobre os nossos morangos é o que nos motiva todos os dias a continuar melhorando."
Mais do que produzir frutas, a família acredita estar contribuindo para mostrar que a agricultura de Barão pode inovar sem perder suas raízes.
A decisão tomada pouco mais de uma década atrás transformou uma propriedade familiar em referência para quem busca qualidade e tecnologia no cultivo de morangos, demonstrando que a evolução do campo também passa pela coragem de experimentar novos caminhos.
Ao olhar para o futuro, Aline espera que as novas gerações mantenham vivo esse legado.
"Que os jovens permaneçam no campo e deem continuidade ao trabalho que nossos pais e avós começaram."
Imagens: Arquivo da família Sandrin.
Texto: Rita Santos para o Jornal Ação.

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