Jornal Ação de Barão/RS.


27/07/2026 às 10:32 // Agricultura.
Especial | 30 anos da agricultura de Barão
Cinco histórias para entender como o campo mudou desde a emancipação do município
O Dia do Colono e Motorista, celebrado em 25 de julho, inspira o Jornal Ação a voltar o olhar para uma das atividades que ajudaram a construir a história de Barão. A partir desta reportagem, o jornal inicia a série especial "30 anos da agricultura de Barão", que, ao longo de cinco edições, reunirá relatos de produtores e lideranças rurais para mostrar como o campo se transformou desde a emancipação do município.
A proposta é registrar as mudanças vividas por quem acompanhou de perto a evolução da agricultura local. Máquinas que substituíram o trabalho braçal, aumento da produtividade, novas tecnologias, mudanças nas propriedades, desafios econômicos e perspectivas para o futuro fazem parte das histórias que serão contadas nas próximas semanas, compondo um retrato da agricultura baronense ao longo das últimas três décadas.
A primeira reportagem da série traz o depoimento do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barão, João Haas. Em entrevista ao Jornal Ação ele relembra como era o trabalho no início dos anos 1990 e analisa os avanços conquistados, sem deixar de destacar as dificuldades que continuam fazendo parte da rotina de quem vive da produção rural.
Da enxada e da junta de bois às máquinas de alta produtividade, a agricultura de Barão passou por uma transformação profunda nas últimas três décadas. A mudança alterou a forma de produzir alimentos, aumentou a produtividade das lavouras e reduziu significativamente o trabalho braçal. Ao mesmo tempo, os custos da atividade cresceram e a instabilidade dos preços continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelos produtores.
Segundo João Haas, acompanhar essa evolução é motivo de orgulho para quem vive o dia a dia do campo desde os primeiros anos de Barão como município.
No início da década de 1990 a realidade era muito diferente da atual. Grande parte das atividades dependia da força humana e animal. O preparo do solo era feito com arado e grade puxados por juntas de bois, enquanto o plantio de milho, batata e pastagens acontecia manualmente. Até mesmo a distribuição de sementes e fertilizantes era realizada de forma totalmente braçal.
Com o avanço da tecnologia, a ampliação das linhas de financiamento e a maior facilidade para aquisição de máquinas e implementos agrícolas transformaram esse cenário. Hoje, equipamentos modernos realizam operações que antes exigiam dias de trabalho manual, proporcionando mais eficiência e reduzindo o esforço físico dos agricultores.
Apesar dos avanços, João ressalta que a modernização também trouxe novos compromissos financeiros.
"A facilidade na compra de uma máquina ou de um implemento existe, mas tudo isso precisa gerar retorno na produção para que possa ser pago. Além disso, a manutenção também tem um custo elevado", observa.
Outro desafio apontado por ele é a falta de estabilidade no mercado agrícola. Segundo o dirigente, muitos produtores acabam concentrando o plantio nas culturas que apresentam melhor preço em determinado momento. Quando chega o período da colheita, o aumento da oferta faz com que os valores pagos ao produtor diminuam significativamente.
Na avaliação dele, essa dinâmica faz com que o agricultor conviva constantemente com incertezas, mesmo investindo em tecnologia e produtividade.
João também destaca que as próprias áreas de cultivo passaram por uma transformação. Terrenos antes adaptados ao trabalho manual foram preparados para atender às exigências do maquinário agrícola. A retirada de pedras, tocos e irregularidades tornou possível o uso de equipamentos cada vez maiores e mais eficientes, melhorando o rendimento das operações de plantio e colheita.
Os resultados dessa evolução aparecem na produtividade das lavouras.
Como exemplo, ele relembra um concurso municipal de produtividade de milho realizado no início da década de 1990. Na ocasião, o vencedor alcançou 116 sacas por hectare, enquanto o segundo colocado colheu 107 sacas, números considerados excepcionais para a época.
Hoje, segundo ele, a média de produtividade do município varia entre 100 e 120 sacas por hectare. Em algumas propriedades, porém, as colheitas chegam a 170, 180 e até 200 sacas por hectare em condições favoráveis, resultado do avanço tecnológico, do melhoramento genético das sementes, do manejo e da mecanização.
Mesmo diante dessas conquistas, João afirma que a agricultura continua sendo uma atividade marcada pela imprevisibilidade.
Durante as comemorações do Dia do Colono, ele definiu o agricultor como "um herói", por conduzir uma atividade diretamente influenciada pelas condições climáticas e pelas oscilações do mercado.
"A agricultura é uma empresa a céu aberto", resume.
Para ele, porém, as dificuldades não diminuem a disposição dos produtores. Pelo contrário, reforçam a capacidade de adaptação e a perseverança de quem continua trabalhando para manter viva uma das principais atividades econômicas de Barão.
Imagem: João Haas / Desfile em homenagem ao Dia do Colono e Motorista
Texto: Rita Santos para o Jornal Ação.
Especial | 30 anos da agricultura de Barão
Esta é a primeira de cinco reportagens produzidas pelo Jornal Ação para registrar, por diferentes perspectivas, as transformações da agricultura desde a emancipação de Barão. Ao longo da série, produtores rurais de diferentes segmentos compartilharão suas experiências, mostrando como evoluíram as propriedades, as tecnologias, a produtividade e os desafios de quem vive do campo.
Na próxima reportagem, uma nova história ajudará a ampliar esse retrato da agricultura baronense.

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