Jornal Ação de Barão/RS.


14/07/2026 às 21:27 // Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barão.
Quem produzirá os alimentos daqui a 20 anos? A pergunta ganhou espaço nesta terça-feira, 14 de julho, durante o primeiro dia do Encontro Estadual da Juventude Rural 2026, promovido pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul, a FETAG-RS. A programação segue nesta quarta-feira, 15, com debates voltados à permanência dos jovens no campo e à continuidade das propriedades familiares.
O encontro ocorre diante de um cenário que preocupa entidades ligadas ao setor. Dos quase 294 mil estabelecimentos da agricultura familiar existentes no Rio Grande do Sul, apenas 3,6 mil são dirigidos por jovens de até 25 anos. O número corresponde a 1,2% do total, conforme dados divulgados pela FETAG-RS.
A redução da população jovem no meio rural também aparece na comparação entre os levantamentos de 2010 e 2022. Em 2010, o Estado tinha 336 mil jovens vivendo no campo. Doze anos depois, esse contingente havia caído para 230 mil, uma redução de 31,5%.
Os dados e a mobilização da entidade foram encaminhados ao Jornal Ação pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barão. O tema possui relação direta com municípios cuja economia e organização comunitária dependem da agricultura familiar, como ocorre em Barão e em outras cidades da região.
A sucessão rural corresponde à continuidade da propriedade e da atividade produtiva por uma nova geração da família. O processo envolve a transferência gradual de responsabilidades, conhecimentos e decisões, mas depende de condições concretas para que os jovens possam trabalhar, obter renda e construir o próprio futuro no campo.
Entre as principais necessidades apontadas pela FETAG-RS estão o acesso à terra, ao crédito e à assistência técnica, além de educação, conectividade, geração de renda e políticas públicas voltadas à juventude rural. Sem essa estrutura, muitas famílias encontram dificuldades para preparar sucessores, enquanto os jovens buscam oportunidades profissionais e educacionais fora das comunidades onde cresceram.
O problema ultrapassa os limites de cada propriedade. A falta de sucessores pode provocar o encerramento de atividades produtivas, a venda de áreas, a redução da população no interior e a perda de conhecimentos acumulados por diferentes gerações. Também afeta o abastecimento, o emprego e a circulação de renda nos pequenos municípios.
A agricultura familiar representa 80,5% dos estabelecimentos agropecuários do Rio Grande do Sul, segundo os dados apresentados pela entidade. O setor movimenta cerca de R$ 47 bilhões em Valor Bruto da Produção e mantém mais de 716 mil postos de trabalho.
A dimensão desses números ajuda a explicar por que a redução da juventude rural desperta preocupação. A continuidade das propriedades interfere diretamente na produção de alimentos e na manutenção de cadeias econômicas que sustentam comunidades inteiras.
Durante o encontro estadual, jovens e lideranças da agricultura familiar discutem propostas e reivindicações que deverão integrar a pauta do segmento para o processo eleitoral de 2026. A intenção é apresentar demandas capazes de orientar políticas públicas e ampliar as condições para que a nova geração permaneça no campo por escolha e com perspectivas econômicas.
Nesta quarta-feira, 15 de julho, o encontro entra em seu segundo e último dia. A discussão parte de uma constatação clara: a agricultura familiar possui força econômica e social no presente, mas sua continuidade dependerá das oportunidades oferecidas agora aos jovens que poderão assumir as propriedades nas próximas décadas.
Imagens: Divulgação/FETAG-RS.
Texto: Rita Santos para o Jornal Ação.

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