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COSTURANDO HISTÓRIAS

05/07/2026 às 10:50 // .

Eu achei que estava procurando meus antepassados

Durante muito tempo eu achei que estava procurando meus antepassados.

Quando comecei a montar minha árvore genealógica, era isso que eu acreditava. Eu queria descobrir nomes, datas, fotografias e histórias. Passei horas pesquisando documentos, conversando com parentes e visitando lugares onde parte da minha família viveu.

Eu achava que estava olhando para trás.

Só que, sem perceber, comecei a olhar para dentro.

Tudo começou como uma curiosidade. Eu queria saber quem eram aquelas pessoas que vieram antes de mim. De onde tinham vindo. Como viviam. O que enfrentaram. Aos poucos, porém, uma pergunta começou a aparecer com mais força do que todas as outras.

Por que essa busca mexe tanto comigo?

Foi então que percebi que eu não estava procurando apenas informações sobre pessoas que já partiram. Eu estava tentando entender por que sou quem sou.

Quando alguma coisa abala a nossa vida, é comum procurarmos respostas do lado de fora. Uma perda, uma doença, um acidente ou qualquer acontecimento que nos faz perder o chão costuma nos colocar em movimento. Comigo não foi diferente. Eu comecei procurando respostas na história da minha família, mas encontrei perguntas sobre mim.

Foi nesse caminho que conheci um pouco mais sobre a forma como a nossa mente funciona. A neurociência mostra que as emoções fortalecem as nossas memórias. Talvez seja por isso que algumas histórias nos atravessam mesmo quando não fomos nós que as vivemos.

Também comecei a pensar que herdamos muito mais do que sobrenomes e traços físicos. Herdamos maneiras de amar, de sentir medo, de enfrentar dificuldades, de enxergar o mundo. Crescemos ouvindo histórias, observando comportamentos, convivendo com silêncios e com tudo aquilo que cada geração consegue ou não consegue elaborar.

Não acredito que isso determine quem somos.

Mas acredito que conhecer a nossa história nos dá liberdade.

Liberdade para entender alguns dos nossos medos.

Liberdade para perceber padrões que se repetem.

Liberdade para fazer escolhas mais conscientes.

Hoje continuo pesquisando meus antepassados. Ainda me emociono quando encontro uma fotografia antiga ou descubro um documento perdido. Ainda sinto vontade de conhecer os lugares por onde eles passaram.

A diferença é que agora eu sei por que continuo procurando.

Cada descoberta sobre eles ilumina um pedacinho de mim.

E talvez seja esse o maior presente que essa jornada poderia me dar.

Durante muito tempo eu achei que estava procurando meus antepassados.

Hoje eu percebo que eu estava procurando a mim mesma.

 

Costurando Histórias

Camila Calliari acredita que toda história pode revelar algo sobre quem somos. Veterinária, artista, escritora e criadora de conteúdo, escreve sobre as conexões entre pessoas, memórias, natureza, viagens e acontecimentos do cotidiano. Seus textos nascem da curiosidade, das perguntas e da vontade de encontrar sentido nas experiências da vida e, quem sabe, também na vida de quem lê.

Para saber mais, acompanhe: Instagram: @camicalliari | Arte: @acamifazarte | Barão Goods: @baraogoods | São Pedro Goods: @saopedrogoods