Jornal Ação de Barão/RS.


19/04/2026 às 10:54 // .
Comenta-se que, aos poucos, o lazer vai deixando de ser encontro para se tornar privilégio.
Em cidades pequenas, onde o cotidiano já carrega suas próprias limitações, o esporte sempre foi mais do que competição. É ponto de encontro, é conversa na arquibancada, é criança correndo pelo ginásio enquanto os adultos acompanham o jogo. É pertencimento. Mas quando o acesso passa a ter um custo que não conversa com a realidade de quem vive ali, algo se perde no caminho.
Não se trata apenas de pagar ou não pagar um ingresso. Trata-se de quem fica de fora quando esse valor pesa. Porque pesa. E pesa justamente para quem sempre esteve presente — não como espectador eventual, mas como parte viva daquele ambiente.
Há quem defenda que cobrar é necessário. E talvez seja. Mas também é preciso refletir sobre medida, sobre equilíbrio, sobre o quanto esse valor aproxima ou afasta. Porque quando o ingresso se torna um obstáculo, o ginásio deixa de ser espaço coletivo e passa a ser seletivo.
E, no fim, a conta não fecha nem para quem organiza. O público diminui, o movimento na cantina cai, o clima esfria. O que antes era barulho, torcida e consumo, vira silêncio e cadeiras vazias. Economiza-se de um lado, perde-se de vários outros.
Talvez a questão nunca tenha sido apenas o preço, mas o entendimento do que aquele espaço representa. Em lugares onde quase tudo é escasso, o acesso ao esporte deveria ser ponte — não barreira.
Porque quando a comunidade deixa de se ver ali dentro, não é só o jogo que perde. É todo o entorno. É a tradição. É o sentimento de fazer parte.

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| Salário Mínimo | 1.621,00 |