Comenta-se antes mesmo que a música comece. Antes que os vestidos atravessem o salão. Antes que qualquer nome seja anunciado.
Comenta-se nas filas do mercado, nos intervalos do trabalho, nas conversas apressadas da calçada. A escolha da soberana ainda nem aconteceu, mas a cidade já vive o seu ensaio geral — de opiniões, de expectativas e de julgamentos.
Há quem já tenha sua favorita. Há quem questione as escolhas. Há quem diga que outra merecia estar ali. Há quem analise postura, fala, família, história. Em cidades pequenas, nada é apenas um evento — tudo é também narrativa coletiva.
Mas, enquanto os comentários circulam, existe um outro movimento mais silencioso.
Existe a emoção das candidatas que contam os dias no calendário. Existe a ansiedade que aperta o peito na semana que antecede o baile. Existem famílias que organizam roupas, mesas, torcida, coração. Existe o orgulho que transborda antes mesmo de qualquer resultado.
Porque, para quem está no palco, não é apenas uma noite. É memória. É marco. É coragem vestida de tecido e expectativa.
Também se comenta sobre valores. Sobre o custo de participar, de prestigiar, de estar presente. E essa é uma reflexão necessária: quando o acesso pesa no bolso, parte da comunidade acompanha de longe aquilo que deveria ser celebração coletiva. Tradicional, sim. Emocionante, sem dúvida. Mas ainda um espaço que pode — e talvez deva — ser mais acessível.
Antes da sexta-feira chegar, o que existe é esse clima suspenso. A cidade em estado de expectativa. A conversa que cresce, a curiosidade que aumenta, os palpites que se multiplicam.
E talvez seja isso que mais revele quem somos.
Mais do que a faixa que será entregue, o que antecede o baile já diz muito sobre nós: nossa forma de torcer, de criticar, de apoiar, de comparar. Nossa pressa em julgar e, ao mesmo tempo, nossa facilidade em nos emocionar.
Comenta-se muito.
Mas, enquanto a noite não chega, talvez valha lembrar que por trás de cada nome existe uma história. E que, antes de qualquer coroa, existe alguém que teve a coragem de se colocar ali.
E isso, por si só, já é digno de aplauso.
Comenta-se nas filas do mercado, nos intervalos do trabalho, nas conversas apressadas da calçada. A escolha da soberana ainda nem aconteceu, mas a cidade já vive o seu ensaio geral — de opiniões, de expectativas e de julgamentos.
Há quem já tenha sua favorita. Há quem questione as escolhas. Há quem diga que outra merecia estar ali. Há quem analise postura, fala, família, história. Em cidades pequenas, nada é apenas um evento — tudo é também narrativa coletiva.
Mas, enquanto os comentários circulam, existe um outro movimento mais silencioso.
Existe a emoção das candidatas que contam os dias no calendário. Existe a ansiedade que aperta o peito na semana que antecede o baile. Existem famílias que organizam roupas, mesas, torcida, coração. Existe o orgulho que transborda antes mesmo de qualquer resultado.
Porque, para quem está no palco, não é apenas uma noite. É memória. É marco. É coragem vestida de tecido e expectativa.
Também se comenta sobre valores. Sobre o custo de participar, de prestigiar, de estar presente. E essa é uma reflexão necessária: quando o acesso pesa no bolso, parte da comunidade acompanha de longe aquilo que deveria ser celebração coletiva. Tradicional, sim. Emocionante, sem dúvida. Mas ainda um espaço que pode — e talvez deva — ser mais acessível.
Antes da sexta-feira chegar, o que existe é esse clima suspenso. A cidade em estado de expectativa. A conversa que cresce, a curiosidade que aumenta, os palpites que se multiplicam.
E talvez seja isso que mais revele quem somos.
Mais do que a faixa que será entregue, o que antecede o baile já diz muito sobre nós: nossa forma de torcer, de criticar, de apoiar, de comparar. Nossa pressa em julgar e, ao mesmo tempo, nossa facilidade em nos emocionar.
Comenta-se muito.
Mas, enquanto a noite não chega, talvez valha lembrar que por trás de cada nome existe uma história. E que, antes de qualquer coroa, existe alguém que teve a coragem de se colocar ali.
E isso, por si só, já é digno de aplauso.
Por Jaqueline Debald, escritora e autora de cinco livros publicados. Observadora das ruas, dos silêncios e das pequenas revoluções que acontecem na vida comum, escreve para transformar sentimentos em reflexão e pertencimento. Para saber mais, acesse: https://sites.google.com/view/escritorajaquelinedebald













-(1).png)