Jornal Ação de Barão/RS.


02/08/2026 às 11:17 // .
PARE! OUÇA! PENSE! REZE! DECIDA!
Desde o início da criação do mundo, Deus conferiu à humanidade uma vocação, um chamado e uma missão: “Crescei, multiplicai-vos e administrai a terra!” (Gn 1,28).
Neste ano, em todo o Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou o projeto de criar, em todos os ambientes, uma cultura vocacional e comunidades vocacionais fundamentadas nas palavras de Jesus, no trecho conhecido como a Grande Comissão. O texto orienta a pregar o Evangelho, batizar em nome da Trindade e ensinar os mandamentos de Cristo (Mt 28,19-20).
O QUE É VOCAÇÃO
A vocação é um chamado especial de Deus que se manifesta de várias formas: no silêncio, na oração, por meio de pessoas, no autoconhecimento — dons, talentos e fascínios —, nas inquietações interiores, nas realidades que clamam por alguém que possa ajudar e no testemunho de quem já segue Jesus.
A vocação abrange o sacerdócio, a vida religiosa e as demais escolhas de vida e de serviço dentro da Igreja e da sociedade.
Cada pessoa que vem ao mundo traz uma missão a cumprir. Cabe a nós manter uma atitude de escuta, busca, discernimento e decisão sobre o caminho a seguir e a maneira de realizar a nossa vocação. O mês de agosto é um tempo muito especial para pensarmos sobre os caminhos que podemos seguir na vivência do nosso batismo:
Ministério ordenado: inclui bispos, padres e diáconos. Eles recebem o sacramento da Ordem para guiar o povo, celebrar a missa e cuidar da vida espiritual da comunidade, dando continuidade à missão de Jesus.
Vida consagrada: é formada por religiosos, religiosas, monges e consagrados seculares. Eles fazem votos de pobreza, castidade e obediência, dedicando a vida inteira a Deus e aos mais necessitados, a exemplo de Jesus, cada qual com seu carisma.
Vocação matrimonial: é vivida por casais que se unem pelo sacramento do matrimônio. A missão deles é formar uma família cristã e educar os filhos na fé, dando continuidade à missão de Deus Pai Criador.
Vocação leiga: é vivida por pessoas batizadas que atuam no mundo do trabalho e da família, nas pastorais, nos movimentos e nos serviços da Igreja, como fazem os catequistas, por exemplo.
PROMOVER AS VOCAÇÕES É MISSÃO DE TODOS
A escolha de uma vocação é a resposta de cada pessoa batizada ao chamado de Deus.
Para ajudar a disseminar uma cultura vocacional, é preciso permitir que catequizandos, adolescentes e jovens conheçam as diversas vocações da Igreja e compreendam a importância de discernir o chamado de Deus para suas vidas.
Quem seria mais indicado para esse trabalho do que o catequista ou a catequista? Todas as etapas da catequese passam por esses agentes. Ser catequista é uma vocação divina a serviço do Reino de Deus. Cabe a eles manter um olhar atento para desenvolver e fortalecer uma cultura vocacional.
É nessa dinâmica que certamente encontraremos pessoas mais humanas e capazes de vivenciar o amor de Deus na sociedade, cada qual em sua vocação. Estar no lugar certo significa estar onde Deus deseja que cada pessoa esteja.
Também é preciso conscientizar os pais de que a vocação específica é chamado, dom e presente de Deus que envolve toda a família. Cabe a eles acompanhar, apoiar e respeitar as decisões dos filhos em suas escolhas vocacionais.
É oportuno orientar as crianças, por ocasião da Primeira Comunhão, para que se concentrem naquele momento, fechem os olhos, conversem com Jesus e o escutem. Essa pode ser a ocasião do primeiro chamado. Durante a Crisma, surge outra oportunidade de perceber: para que Jesus me chama?
Há pessoas que não escutaram o primeiro chamado e estão “meio perdidinhas” quanto à própria vocação. Elas não são felizes porque ainda não se encontraram consigo mesmas e com a missão que vieram realizar no mundo.
AS MEDIAÇÕES PARA DESCOBRIR A PRÓPRIA VOCAÇÃO
O exemplo da vocação de Samuel deixa essa realidade muito clara e convincente (1Sm 3,1-10):
“Entretanto, o menino Samuel servia a Javé na presença de Eli. Naquele tempo, a palavra de Javé era rara e as visões não eram frequentes. Certo dia, Eli estava dormindo em seu quarto. Sua vista começava a enfraquecer e ele não enxergava bem. A lâmpada de Deus ainda não se havia apagado, e Samuel dormia no templo de Javé, onde estava a arca de Deus.
Javé chamou: ‘Samuel, Samuel!’. Ele respondeu: ‘Aqui estou’ e correu para junto de Eli, dizendo: ‘Aqui estou, pois me chamaste’. Ele respondeu: ‘Não te chamei; volta e dorme’. Samuel voltou a dormir.
Javé tornou a chamar: ‘Samuel, Samuel!’. Samuel levantou-se, foi para junto de Eli e disse: ‘Aqui estou, pois me chamaste’. Eli respondeu: ‘Não te chamei, meu filho; volta e dorme’.
Samuel ainda não conhecia Javé, e a palavra de Javé ainda não lhe havia sido revelada. Javé chamou Samuel novamente, pela terceira vez. Ele se levantou, foi até Eli e lhe disse: ‘Aqui estou, pois me chamaste’.
Então, Eli compreendeu que Javé estava chamando o menino. Por isso, disse a Samuel: ‘Vai deitar-te e, se te chamarem outra vez, dirás: “Falai, Javé, que vosso servo escuta”’. Samuel tornou a deitar-se em seu lugar.
Então, Javé veio, colocou-se junto dele e o chamou como das outras vezes: ‘Samuel, Samuel!’. Samuel respondeu: ‘Falai, que vosso servo escuta!’.
Javé disse a Samuel: ‘Vou fazer em Israel uma coisa tal que, a todos que a ouvirem, retinirão os dois ouvidos’.”
Preste muita atenção: você, eu e todos nós somos “Eli” na vida de crianças, adolescentes e jovens. Temos a missão de ajudá-los a encontrar o caminho da felicidade, seguindo a vocação para a qual foram chamados.
COM DEUS NÃO SE BRINCA
Cuidemos das crianças, dos adolescentes e dos jovens para que não sofram bullying. Deus é quem chama. Por que alguém deveria se interpor ao chamado de Deus?
Pense no que seria do mundo sem o sacerdote. Todos conhecem a importância da vocação sacerdotal e sabem quanto a presença do sacerdote é indispensável na Igreja: junto aos enfermos, abençoando os casais, batizando, ministrando os sacramentos da reconciliação e da unção dos enfermos, presidindo a celebração eucarística, ouvindo e orientando tantas pessoas.
Você gostaria que seu filho ou sua filha seguisse o chamado de Jesus para uma vocação específica?
Logo que ingressei na Congregação das Irmãs Ministras dos Enfermos de São Camilo, minha mãe, Laura, disse:
“Feliz és tu, filha, porque escolheste a melhor parte, e esta nunca te será tirada.”
Depois de minha profissão perpétua, meu pai, David, disse:
“Agora tenho o que eu mais queria.”
“O quê, meu pai?”, perguntei.
“Uma filha religiosa”, respondeu.
Ele amava e valorizava toda a família, mas seu coração também desejava uma filha religiosa.
Por que não incentivar tantos meninos e meninas a seguirem os passos de Jesus? É uma bênção para toda a família. Acredite em mim.
Ajudemos a criar uma cultura vocacional na família, na escola, na sociedade e no esporte. Deus está presente em todos os lugares e pode chamar em qualquer circunstância. Prestemos atenção aos encontros vocacionais e aos retiros.
Celebremos com alegria cada uma das vocações neste mês vocacional.
“Eis-me aqui, Senhor, eis-me aqui, Senhor!
Pra fazer tua vontade, pra viver do teu amor.
Pra fazer tua vontade, pra viver do teu amor,
eis-me aqui, Senhor!”
Ir. Marisa Inêz Mosena – (79) 99865-1733
Irmãs Ministras dos Enfermos de São Camilo
Comunidade Sagrada Família – Montenegro/RS
| Salário Mínimo | 1.621,00 |