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01/03/2026 às 19:15 // .

MINHA IDENTIDADE

Por Ir. Marisa Inêz Mosena


“Quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado” (Lc 18,14)
Como ninguém de nós vive sem uma espiritualidade, hoje vou apresentar uma
passagem da Sagrada Escritura, do Evangelho de Lucas, na qual Jesus apresenta o Fariseu
e o Publicano. Já se passaram tantos anos..., mas eles continuam vivos nas pessoas que se
identificam com eles em seu modo de ser e agir.

“No seu inspirado ensinamento, são impactantes os diferentes personagens que
Jesus apresentou como modelos de vida e que eram, social e religiosamente,
considerados “impuros” e “imperfeitos” entre os membros daquela comunidade judaica
que resistia acolher a sua mensagem de amor e seu chamado libertador. Aí vemos como
Jesus denunciou com severidade as atitudes dos fariseus, porque eram exigentes, rigoristas,
tradicionalistas, intolerantes, sentindo-se superiores aos demais. Não sentiam a necessidade
de se converterem e de restabelecerem a fraternidade com aqueles que não eram de seu
grupo.”

Olhando para os ambientes que frequentamos, às vezes até mesmo dentro de casa,
na escola, no trabalho, na economia, na política, no esporte, nas igrejas, vemos com
frequência, pessoas assim são desumanas, pouco compassivas, aferram-se às suas opiniões
e desprezam os outros. Sua autossuficiência lhes impede se reconhecerem como filhos de
Deus e irmãos dos outros, porque Deus só pode ser reconhecido de verdade nos outros e
através dos outros e, de uma maneira muito especial, no rosto dos mais oprimidos deste
mundo.

Já indiferença, o julgamento, a intolerância e a “imagem aureolada” de si mesmo
que exige méritos, são sinais distintivos de um ego inflado em seu modo de se situar na
vida e na religião. O ego é incapaz de compaixão e de empatia: vive fechado em sua
couraça de necessidades e de medos, empenhando-se por conseguir uma existência
agradável para si, à margem de qualquer outro critério. E a religião tem sido um campo
fértil para a manifestação das mazelas de um ego prepotente, julgador, rigorista, vazio de
vida.” Então, a parábola contada por Jesus revela que o fariseu é um
observante escrupuloso da lei e um praticante exímio de sua religião. Sente-se seguro no
templo. Ele reza, ora de pé e com a cabeça erguida. Sua oração é autocentrada: ele não
louva e nem agradece a Deus, mas elogia a si mesmo, Ele é o centro da própria vida – “eu
sim sou o máximo – eu consigo, eu faço, eu posso” - pela própria grandeza e por aquilo
que realiza. Ele despreza os outros e se considera perfeito. Este não precisa de Deus, pois o
está dispensando pela sua oração.

Já o publicano, nos revela que basta redescobrir o caminho da humildade (do
húmus), bem no fundo de nós mesmos: este é o lugar da oração. E quanto mais baixo for o
ponto de partida, tanto mais alta ela vai subir... A salvação que esperamos não é fruto de
nosso esforço e penitências, de nossa prática legal e de nossas virtudes perfeitas. Ela é
puro dom de Deus, divino presente de seu coração de Pai. Só nos resta acolhê-la em atitude
de humilde gratidão.

As parábolas são uma pedagogia que Jesus escolhe para nos dar a possibilidade de
refletir, de nos confrontar e de tomar novas atitudes que transformam o nosso ser, em
pessoas melhores, mais humanas, mais humildes, mais fraternas, acolhedoras da vida em si
mesmas e nos outros.

Páre e reflita: quem destes dois personagens, melhor expressam sua identidade!
Ainda dá tempo de dar um novo sentido à vida e se colocar do jeito certo, diante de Deus e
das pessoas. Comece agora!